As traduções de Odisséia e Ilíada de Homero

@epistarse | janeiro 15, 2016 2 comentários
Tentei reunir as traduções de maior impacto desse clássico da literatura grega, que foram publicadas no Brasil.

Odisséia

Manuel Odorico Mendes [publicada em 1928]
re-editada (Ars Poetica / EDUSP) - 2000
Realizada no século XIX e publicada somente em 1928, seguia a tradição épica em português, empregando o decassílabo, porém branco. Uma tradução notável pelo preciosismo lexical, pelo uso de estruturas sintáticas incomuns e neologismos, empregados principalmente para traduzir os epítetos gregos, latinizando-os ou somente transliterando-os, como, por exemplo, em “Aurora dedirrósea” [Aurora de dedos róseos]. Sua tradução foi reeditada pela EdUSP e Ars Poetica, com organização, notas suplementares e prefácio de Antonio Medina Rodrigues.

  


Carlos Alberto Nunes [publicada na década de 1960
re-editada:
(Ediouro) - 1997
(Hedra) - 2011
(Nova Fronteira) - 2015
É bastante elogiada por conter uma escrita de fácil compreensão para a maioria dos leitores iniciantes. Publicada na década de 1960, é de Carlos Alberto Nunes, cujo principal critério foi transpor o metro original do poema – hexâmetro dactílico – para o português. O resultado foram versos de dezesseis sílabas poéticas, cujo ritmo é a sequência de seis grupos de sílabas, sendo que os cinco primeiros são compostos, cada um, por uma sílaba tônica e duas átonas, e o sexto grupo composto, em geral, de uma tônica e uma átona.



Donaldo Schüler (L&PM) - 2007
[Odisseia I: Telemaquia / Odisseia II: Regresso / Odisseia III: Ítaca]
A tradução de Donaldo Schüler, publicada pela L&PM, é uma ousada mistura de ritmos e de registro. De acordo com Guilherme Gontijo Flores – tradutor da Anatomia da melancolia e professor da UFPR –, em análise publicada no jornal Folha de São Paulo, seu resultado é “desigual e por vezes infeliz”

A edição é bilíngüe e disposta em três volumes.

 



Frederico Lourenço (Penguin - Companhia das Letras) - 2011
A tradução e uma bela introdução foram feitas por um professor especialista em literatura grega, numa linguagem bem acessível. Esta edição é a que têm o melhor acabamento e “bônus adicionais”.

A tradução do português Frederico Lourenço, publicada pela Companhia das Letras, conseguiu reproduzir uma versão fluente e mais prosaica, capaz de transmitir o texto aos leitores contemporâneos sem grandes estranhamentos.

A versão da Penguin-Companhia das Letras vem com um “guia de leitura” ao final, com algumas questões de verificação de compreensão acerca de alguns episódios, com respectivas respostas, além de uma seleção bibliográfica recomendada à guisa de comentário – dois livros publicados nos Estados Unidos, dois na Inglaterra e um em Portugal.

A edição conta com introdução e notas escritas pelo falecido professor inglês Bernard Knox, estudioso dos textos da Grécia Antiga, debruçou-se durante a carreira acadêmica principalmente sobre a obra de Sófocles e foi diretor e fundador do Centro de Estudos Helênicos da Universidade de Harvard. O tradutor Frederico Lourenço é também responsável pelo prefácio.



Trajano Vieira (Editora 34) - 2011 / 2013
Preserva ao máximo os ritmos e sonoridades do original – embora a compreensão da história e das palavras não seja fácil.

A tradução de Trajano Vieira, publicada pela editora 34, venceu o Prêmio Jabuti. Há uma versão original e uma edição de bolso, ambas bilíngues. A edição original conta com bibliografia sugerida, excertos da crítica e um ensaio do escritor Italo Calvino. A edição de bolso traz também a bibliografia sugerida e excertos da crítica, além de um pequeno e belo texto de Franz Kafka, inspirado na obra de Homero.

O tradutor, Trajano Vieira, é doutor em Literatura Grega pela USP e professor de Língua e Literatura Grega na Unicamp. Além de ter colaborado, como organizador, na tradução realizada por Haroldo de Campos da Ilíada de Homero [veja a entrevista com Haroldo de Campos sobre a tradução, feita por Nelson Ascher, para o jornal Folha de São Paulo], tem se dedicado a traduzir poeticamente tragédias do repertório grego. Trajano é reconhecido através de prêmios no Brasil por buscar preservar ao máximo a fina tessitura linguística e recriar poeticamente os ritmos e sonoridades do original. Sua tradução de Agamêmnon também recebeu o Prêmio Jabuti de Tradução.

 


Christian Werner (Cosac Naify) - 2014
A edição é acompanhada por apresentação de Richard Martin, introdução do próprio Werner e posfácio de Luiz Alfredo Garcia Roza. O volume ainda traz dois textos anexos —o poema "Ítaca", de Konstantinos Kaváfis, e o conto "O Silêncio das Sereias", de Franz Kafka— e um glossário de nomes próprios.

A tradução ainda preza por dois fatores importantíssimos da poética homérica, até hoje pouco explorados na maioria das outras traduções: as repetições de expressões e estruturas, que marcam a oralidade original do texto em suas fórmulas, e os efeitos que decorrem da sintaxe do textos, sobretudo nos casos de "enjambement" (quebras de verso) e dos posicionamentos fixos de certas estruturas.

Werner parece ficar a meio caminho entre a fluidez e as demandas da sintaxe "estrangeirizante" e, se não busca um projeto de tradução poética radical, certamente poderá ser uma entrada para a poesia homérica, acessível a um público variado, mas que também resulta num Homero diverso.




Ilíada

Manuel Odorico Mendes [publicada originalmente em 1874]
re-editada
(W. M. Jackson Inc.,) - 1950


 

Carlos Alberto Nunes [publicada originalmente na década de 1940] (Editora Athena)
re-editada
(Ediouro) - 1969
(Nova Fronteira) - 2015

   


Fernando C. de Araújo Gomes (Ediouro) - 1996



Haroldo de Campos; intro. e org. Trajano Viera; 2 v. (bilíngüe). (Arx) - 2003


 


Frederico Lourenço (Penguin-Companhia das Letras) - 2013


Créditos:



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2 comentários:

  1. Obrigado pelo texto, foi esclarecedor! Estava dando uma olhada nas traduções da Ilíada/Odisseia e achei seu blog. Parabéns!

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